Cursos de Joalheria

Atelier – Escola de Joalheria

Cursos de Joalheria

A escola de joalheria Rodolfo Penteado foi estruturada em 1982 e desde então vem formando profissionais e designers aptos a atuarem no mercado de jóias.

Nas opções abaixo saiba mais sobre o trabalho, impressões e conheça as coleções de jóias de Rodolfo Penteado.

+ Rodolfo Penteado

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Rodolfo Penteado

O Designer

Quando estava com dez anos, lembro-me bem, minha mãe começou a revender jóias para aumentar a renda da família. A Joalheria era da irmã da minha mãe, Tia Hilda. Morávamos no Ipiranga.

Perto de nossa casa, descobrimos a existência de um ourives "seu" Aristides.

Os clientes compravam jóias, e deixavam peças para conserto. Eu sou o filho mais velho de 4 irmãos, e com 10 anos era o encarregado de ir no "seu" Aristides levar e buscar as jóias que ele consertaria ou já havia consertado. Este momento para mim era muito gratificante, pois era um imenso prazer ficar olhando aquele velho senhor restaurar correntes, brincos, pulseiras. A cada dia eu me apaixonava mais pelo ofício, ao ver aquelas mãos habilidosas segurando o maçarico que expelia o fogo aquecendo e restaurando as peças quebradas. Meu tempo de permanência na oficina do "seu" Aristides aumentava a cada dia, e a cada dia aumentavam as broncas da minha mãe. "Menino porque demorou, não vê que o cliente estava esperando?".

Quando fiz dezessete anos, um amigo (Claudionor) veio em casa fazer um trabalho de escola e saber do meu desejo, me disse, "vi um anúncio no jornal sobre um curso de joalheria, aqui está o telefone". No mesmo momento reservei minha vaga e mal consegui dormir naquela noite, tamanha era minha ansiedade.

Tive, como primeiro mestre, o professor Paulo Tielli, engenheiro exigente que me passou um conhecimento abrangente, associava física, química, matemática, esclarecia em aulas pontuais as minhas muitas dúvidas.

Em 1980 conlui meu curso. Em 1982 participei de uma exposição no IBGM, e para minha surpresa algumas pessoas me procuravam para que eu ministrasse aulas de joalheria. Foi quando organizei a oficina para começar a dar aulas e descobrir minha vocação. De 1985 a 1989, graduei-me em Sociologia na PUC-SP. Em 1990 o SEBRAE me contratou como consultor e fui para a cidade de Medianeira no Paraná, onde existe um cluster no setor de jóias. Trabalhei por um męs na cidade e cidades vizinhas, prestando assessoria para pequenos empresários, levando novas técnicas e informaçőes do mercado brasileiro e mundial.

Em 1996 fui consultor de design em estilo da Revista 18 Quilates, anos em que resolvi voltar aos bancos escolares e cursei Desenho Industrial, na FAAP. Curso este concluído em 2000. Em 2002, passei a ministrar aulas, em faculdades, na cadeira de joalheria, repassando técnicas de busca de conceitos e desenvolvimento de jóias com identidade. A partir de 2006, resolvi concentrar minhas atividades em um único local; meu atelier. Muitas pessoas já passaram por minhas aulas, com cada uma aprendi um pouquinho, mas acima de tudo aprendi a acreditar em sonhos e, fazer jóias é materializar sonhos.

Impressőes Sobre as Jóias de Rodolfo Penteado

Envolver o corpo com cores, indumentárias e outros ornamentos é condição de humanidade. Ancestrais intuições e valores, velhíssimas questões renascem cotidianamente pelas atividades dos artesãos e artistas contemporâneos.

Estes eternos desafios postos ao espírito são enfrentados por Rodolfo Penteado, ao criar suas jóias, pequenas esculturas utilizadas para enfeitar e redimensionar o corpo humano.

A produção de Penteado vem atingindo sua maturidade, tanto que suas peças já trazem a marca do autor, já traduzem um estilo. Nas peças criadas é possível identificar a conveniência de um duplo par de tensões.
De um lado, encontra-se o par natureza-cultura e, de outro lado, o orgânico-inorgânico, estruturando a obra deste joalheiro. Estas referências podem ser percebidas tanto na concepção da obra, e nos materiais utilizados, quanto na forma alcançada.

A concepção das peças nasce da força da razão tentando domar a matéria prima a ser moldada; esta, por sua vez, é composta pela prata, pedra ou qualquer elemento resistente; e as formas são arredondadas, circulares, quebrando a linha e suavizando o ângulo reto. Nascem, assim, objetos tridimensionais, onde se vislumbram elementos da natureza, orgânicos, mas marcados pela composição nascida do gesto premeditado. Nestas obras verifica-se o respeito pela organização natural, através de uma lógica e sensibilidade moderna, que supera a estrutura mineral e a densidade do metal.

O resultado obtido é, aparentemente, simples; mas de uma simplicidade que esconde síntese e sofisticação. A engenhosidade reside na técnica de dobrar, cortar ou pressionar planos e forjar linhas e, na forma então obtida, finalmente incrustar pedras ou outro elemento.

Outro aspecto marcante na obra de Penteado, e que o aproxima dos minimalistas, refere-se à pureza das formas obtidas e à multiplicação de módulos. Esta serialização de unidades podem ser intercambiadas, reunidas ou transformadas por novas interferências. Desta multiplicidade homogênea resultam inúmeras peças com personalidades próprias, específicas. Por exemplo, um círculo semipreenchido gera inúmeros brincos diferenciados por especificas soluções.

As peças de Rodolfo também são marcadas pelo lúdico e pelo humor. Muitas delas são jogos de montagem, dando liberdade ao usufruidor de eliminar ou juntar pequenas partes que compõem a unidade – são jóias que se transmutam no uso cotidiano. O mesmo par de brincos muda do dia (informal) para a noite (formal).

Nos broches, a joalheria de Penteado atinge ponto alto. São peças onde as tensões daqueles dois pares já apontados aparecem plenamente. Aí ele consegue um efeito de estranhamento e originalidade que impacta o usufruidor (seja quem usa ou observa). O efeito obtido origina-se não só dos contrastes orgânico-inorgânicos, mas também do equilíbrio entre dimensão da peça e detalhes parciais (orifícios, pontas, ritmo de cortes, etc.).

Enfim, as jóias de Rodolfo Penteado criam espaços e relações próprias que cumprem a tarefa de embelezar o ser humano, sendo fascinantes enquanto objetos autônomos, por si só, como quando colocados na palma da mão.

São Paulo, fevereiro de 1992.

Miguel W. Chaia
Sociólogo e crítico de arte

Coleções

Das habilidosas mãos do designer Rodolfo Penteado, saem coleções carregadas de identidade brasileira. Peças que já adornaram artistas como:
Leilah Assumpção, Suzana Salles, Na Ozetti e até, um dos integrantes dos Beatles, que na ocasião estava hospedado no Copacabana Palace no Rio de Janeiro, e ao visitar a Galeria Simetria (localizada no saguão do Hotel) adquiriu uma peça. Em 1988 o Grupo de Teatro da PUC, encomendou uma peça a Penteado para homenagear a atriz Lélia Abramo, jóia que o designer denominou “ser e essência”. Outra encomenda partiu do sociólogo Miguel Chaia para presentear a artista Tomie Ohtake.